segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Mini-Retirante

Como mini-Maripê veio parar nesta selva de pedra?
Entrego-vos mais um capítulo de minha história, para vossa degustação visual.
Eu morava no sertão nordestino. Meus ascendentes, meus antepassados, minha família, há séculos desbravava aquela terra árida em busca de uma vida digna. Nossa história se cruza com a de padre Cícero e Lampião. Certo dia, reunimos nossos poucos trapos de roupa cor-de-terra em trouxas, amarramo-nas em cabos de vassoura e seguimos nosso destino de retirantes rumo ao sul do Brasil.
Legal essa história, né? De fazer inveja a Graciliano Ramos! Pena que não é a minha... =/ Inventei só pra o começo ficar mais emocionante e atrair um maior número de leitores... Como um “Vidas Secas” contemporâneo. Na verdade meu pai resolveu vir a São Paulo por vislumbrar melhores oportunidades de estudo para mim e para meus irmãos. Um sacrifício pessoal em prol de um “bem maior”. Veio enfrentando preconceitos, arriscando sua vida profissional, largando todo seu passado e seus vínculos de nascimento com aquela terra. Mas veio.
(Meu pai, aliás, é uma das melhores pessoas que conheço. Se não, A melhor. Um dia conto sobre meu amor incondicional por este homem. Uma história que cheira a Globo Rural aos domingos, inhame e suco de laranja fresco no café da manhã, sangue, suor e lágrimas. E claro, devoção) Enfim, viemos. E claro, aí começou um pequeno calvário na minha vidinha infantil.


Escola.


Eu já mencionei aqui sobre a simplicidade infantil, capacidade de perdão... Tudo muito bonito! Mas esqueci de mencionar como crianças também conseguem ser maldosas. Qualquer coisa é motivo para você ser taxado pejorativamente. Uns quilinhos a mais, Rolha de Poço. Uns a menos, Olívia Palito. Óculos? Quatro olhos. Aparelho... Dente de trilho. E assim por diante.
Imaginem uma criança, recém-advinda do nordeste, com seu sotaque proeminente, baixinha, de óculos, dentes tortos, magrela, nerd e tímida?
Mal preciso contar no que deu esse bem bolado. Mas termino de contar em breve...
Saboreiem por enquanto a imagem mental de meu escárnio social prematuro!