domingo, 31 de outubro de 2010

Warning sign

O dia-a-dia consome, não? Tenho que fazer isto, mais aquilo, daí entra outro não sei o quê no cronograma, mais aquele outro ali e aquela coisa inadiável! Ah! Mais aquilo lá.

E no fim as horas vão passando, tornando-se dias... meses... um ano, sete meses e nove dias. Como um líquido que escorre pelos dedos das mãos. Podemos não perceber, mas ele passa. Inexorável e impiedosamente.

E de repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Na velocidade indescritível do tempo.

Yeah the truth is, that I miss you, so...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Assenza

(Vinicius De Moraes)

Io lascerò che muoia in me

il desiderio di amare i tuoi occhi, che sono dolci

Perché nulla ti potrei dare tranne la pena

di vedermi eternamente esausto.

Eppure la tua presenza è una cosa qualunque,

come luce e vita,

ed io sento che nel mio gesto esiste il tuo gesto

nella mia voce, la tua voce.

Io lascerò... tu andrai

e accosterai il tuo viso a un altro viso,

le tue dita allacceranno altre dita

e tu sboccerai verso l'aurora,

ma non saprai che a coglierti sono stato io.

Perché io sono il grande intimo della notte,

perché ho accostato il mio viso al viso

della notte ed ho sentito il tuo bisbiglio amoroso...

...ed ho portato fino a me

la misteriosa essenza del tuo abbandono disordinato.

Io resterò solo, come i velieri nei porti silenziosi,

ma ti possiederò più di chiunque,

perché potrò partire.

E tutti i lamenti del mare, del vento,

del cielo, degli uccelli, delle stelle

saranno la tua voce presente,

la tua voce assente,

la tua voce rasserenata.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Astrologia

Como faço pra ser um astronauta? Foi a pergunta que fiz à cartomante.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Meia manhã

There’s a possibility. Droga, com esse frio está mesmo duro acordar! 06:45 A.M. Tenho de me levantar e sair em meia hora para chegar a tempo na minha fabulosa aula de Prática Profissional. Banho rápido! Nada de lavar o cabelo sem dar tempo de secar, ontem fiz isso e minha garganta me arranha até agora se vingando. Vamos dar uma olhada nos e-mails. Aaai! Ele me escreveu antes de sair de casa! *.* Como é possível ainda ter arrepios e sorrisos involuntários depois de um ano e três meses? Deve ser culpa das saudades. Só pode! Opa, caminho da roça! Já estou 15 minutos atrasada. Ei ei EEEEI! Filho da... Mãe! Eu aqui acenando como um boneco de posto e o ônibus passa reto. 25 minutos depois: 177H – Butantã USP. Cada dia mais lotado, abafado e impossível. Merda. E lá vamos nós! Passo por trás de uma, levanto a bolsa, passo por baixo do braço de outro, 180° volver, me espremo, me amasso, me abaixo, ponta dos pés, licença, licença, desculpe, manobra de esquive, duplo twist carpado, cheguei ao fundo! Respiro um pouco, relaxo os braços, brisa leve e fria sopra da janela adjacente. Quer sentar, moça? O que? Isso nunca me ocorreu em 6 anos de peregrinação em transportes públicos. Olhos marejados de emoção, mãos trêmulas e suplicantes, obrigada! Quer que eu segure a mochila, o celular, o seu pé? Não, não, tudo bem. Começo a reparar nas ruas passando ao meu lado, saco o Ipod e escolho a trilha sonora da cena. Quando tudo estava lindo e perfeito lembrei que eu tinha de descer ali no ponto dos bancos porque o ônibus ainda estava virando uma rua antes do convencional trajeto. Caminho a passos lentos e pesados. 30 minutos de atraso? Isso não é nada na FAU. Ontem estava comentando com as meninas que a FAU nos fez assim. No início eu chegava às 07:30 e tinha de esperar uma longa e tediosa hora para que a aula começasse. Fui então adestrada a me atrasar. Depois nos últimos anos os professores reclamam dos nossos atrasos! Criaram monstros. Encarem o fato! Entro na sala de aula ocupada por meia dúzia de gatos pingados semi-acordados. Ótimo, o caríssimo professor introduz um tema x para distrair os alunos enquanto espera o palestrante, atrasado. Arquiteto formado pela FAU, nada mais normal. Até pensei que talvez nem tenha se atrasado, o professor pode ter dito para chegar as 9, prevendo a realidade. Nossa, uma menina vai filmar a aula! O negócio deve ser bom. Que cara alto! Falou bonito. Um pouco maniqueísta a meu ver, porém não deixou de pontuar a realidade. Como a arquitetura pode ser fascinante... As soluções... Traços no papel se tornam paredes, janelas, telhados, escadas, concretos! Ou alvenarios! Hoho 10:00 A.M. Acabou a aula, começa um debate do qual não posso participar pois o tempo urge. Corre, corre! Quase rolo escada abaixo em vão, o ônibus mais uma vez passa incógnito e desta vez vazio. MERRRDA. Meu timing está péssimo hoje! 20 minutos depois. 177P – Santana. Saco o caderno e começo a rabiscar as linhas acima. Continua (assim que o que escrevo deixar de ser o presente momento). (Ao som de Yann Tiersen).

quarta-feira, 9 de junho de 2010

E tem mais.

Quero nem saber... Vou falar! Ninguém pediu mas eu me sinto no direito! Eu não odeio o Justin Bieber. Não mesmo. Prontofalei.

Eu acho que o menino é bonitinho, gracinha, canta afinadinho... Fechou! Ele tem uma voz afeminada. E daí? Ele tem 16 anos! Tudo bem que ele deveria estar na fase dos graveagudos descoordenados (e daqui a pouco provavelmente estará). O Michael tinha a voz fina aos 50... So what? Essa não é a parte importante.

Porém, contudo, todavia, entretanto, não posso deixar de fazer um adendo. Não suporto suas teenwives. Sério. Sabe como o descobri? Na minha peregrinação sem rumo por orkuts alheios, entediada. No perfil de uma menina aos 13, percebi que todas suas amiguinhas de igual faixa etária possuiam o mesmo sobrenome.

Achei bem esquisito... Devia ser algum tipo de irmandade nova aí de meninas, vou saber? Googlei. Foi então que vi fotos, clip, tudo numa caixad'água só! Daí me dei conta de que ele é um ídolo teen, de fama explosiva, sem tantos predicados.

Então liguei os pontos. Elas não são irmãs de mesmo sobrenome. São esposas! Agora tudo fazia sentido! Eu mesma fui casada com o Kevin dos BSB aos 13. Só que não era a mesma coisa. Ele era mais velho (bastante, tinha uns 27) e tinha cara de homem. As meninas estão casando com um bebê de rosto liso e redondo! (Qual a graça? Em vez de casar, poderiam adotar como irmã mais nova. =D)

Enfim, reitero, não o odeio. Só acho todo esse bafafá desnecessário!

Mas também não sou parâmetro pra nada. Não gosto de pessoas felizes, simpáticas, boazinhas, de voz suave, sem muita opinião, normais. Com excessões, raras e importantes!

É.

Moral da História

Smile though your heart is aching
Smile even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by
If you smile through your fear and sorrow
Smile and maybe tomorrow
You'll see the sun come shining through for you

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile

That's the time you must keep on trying
Smile, what's the use of crying?
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile




É isso... Mas não é bem o que acontece comigo. Na realidade é o exato oposto, mas não precisamos falar disso!

Uhul!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O Retorno de Jedi

Pois bem, como eu estava contando... Então... Mudou tudo! Mas vou fingir que todos sabem. Pois é, acabaram as promoções na loja em que eu trabalhava e então, com muito carinho, chutaram meu bumbum com um scarpin bico fino, sendo eufemista. Vamos lá então, encarar a realidade!

Mas como a Itália me ama, 2 semanas depois comecei a trabalhar num café. No primeiro dia, quis morrer! Só não larguei porque tinha contas pra pagar no fim do mês... Mas rezava pra alguém me ligar de outro canto que eu tinha deixado o currículo, porque ODIEI muito tudo isso.

- Primeiro, o chefe me pareceu um louco neurótico perfeccionista. No fim ele é mesmo, mas é simpático... Agora que estamos mais integrados, acho que gosta de mim, porque no começo eu queria chorar à cada vez que me dirigia a palavra.

- Segundo, eu não gosto de café, nunca tomei café e não tinha idéia de como se preparava. Não bastasse o cafezinho normal, existem uns 10 modos de se preparar cada produto ali! Todos muito requintados, com cremes, aromas, leite trabalhado, chantilly, pó de cacau, canela... Mil receitas e configurações. Achei que eu jamais seria capaz de decorar tudo aquilo! No fim, deu.

- Terceiro, quase 80% dos produtos levam o tal do 'latte lavorato', que nada mais é do que leite montado e cremoso, feito no momento em que precisa ser usado. O problema é que até hoje eu não entendo muito bem! Sei toda a teoria! Explicarvos-ei: Em teoria, tem que introduzir o bico de vapor na caneca metálica contendo o leite frio, procurar imediatamente a superfície do líquido, deixar montar uns segundos e ir descendo lentamente. Não pode ficar nem muito quente nem muito frio e as bolhinhas tem que ser muito discretas, quase imperceptíveis. Depois bate a caneca no balcão e gira até lucidar... Enfim, vira um creme muito fino, delicado e brilhante. Tá vendo? EU SEI a teoria! Mas na hora é outra coisa! De vez em quando eu consigo fazer tão perfeito que dá vontade de tirar foto... De vez em quando parece espuma de cerveja! =( Tenho quase certeza que existe algo de místico nessa história... E como eu não fiz nenhum pacto com Deus do latte, ele me prega peças.

Mas agora tá tudo caminhando bem. To fazendo também 2 cursos na faculdade, Arquitetura social, que fala sobre arquitetura hospitalar e Arquitetura de espaços internos, que mais parece decoração, embora foque em casas museu de arquitetos renomados. Eu por exemplo estou estudando a Casa de Vidro da Lina Bo Bardi, em São Paulo... E devemos projetar uma intervenção ali! Parece bem interessante, vamos ver.

No mais, continuo fazendo mil entrevistas de trabalho, mas estou recusando quase todas pq é difícil encontrar um trabalho como o meu em que não se trabalha de fim de semana e que o chefe gosta de você e te protege.

O jornal de hoje chega ao fim. Boa noite.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fashion fever

Aeow! Tô voltando!

Precisava dar uma atualizada nisso daqui! Mas desculpem, não o faço pensando em vocês. =( Tava refletindo outro dia e me dei conta de que muito do que vivi por aqui vai ser esquecido porque não registro. E lendo postagens antigas relembrei de várias coisas que haviam sumido da minha mente. Pecado! Vamo lá.

Escrevo diretamente da capital da moda, Milano. Agora estou morando aqui! Faz umas 2 semanas já. Pra ser bem sincera, Milão me lembra um pouco São Paulo. hahaha Que decepção. Mas atentem, eu disse um pouco. Claro que Sampa não tem tantos edifícios bonitos, não tem o Duomo, não tem a efervecência de moda, a limpeza das ruas e relativa segurança como aqui. Mas num balanço geral me lembra! E me faz feliz... Me sinto um pouco mais em casa.

Estou trabalhando agora! De férias da faculdade, faço 20 horas semanais de trabalho. Este número de horas é permitido por lei devido à minha permissão de permanência na Itália ser para estudos. Então tá! Trabalho numa loja de roupas chamada Camaieu, que até onde eu sei é uma marca francesa que chegou não´há muito aqui na Itália. A loja fica na rua Buenos Aires (que ironia, justo a capital argentina? hmpf), que é super famosa e com váááárias lojas importantes no cenário da moda. E é justamente por isso que a galera não anda na rua, desfila. Tem gente que parece ter saído mesmo das passarelas, com as "fantasias" um pouco exóticas demais para humildes mortais como eu.

Mas bem, ao menos sei o que a moda dita, apesar de não obedecer em absoluto. Sinceramente, não tenho paciência de percorrer lojas, experimentar roupas, etc. Fico agoniada! Confesso que minha mãe comprava minhas roupas. haha Agora não mais, tenho que comprar sozinha! Mas o truque é entrar na primeira loja, comprar o que eu gosto e tchau. Sem muito lenga-lenga e sem tanta ousadia. Gosto de branco, preto, cinza e lilás. Descobri isso. Quase todas as roupas que acho legais são nessas cores! Mas como eu queria de volta minha consultora de moda. Não que eu me importe tanto de me vestir bem... Mas preciso me vestir. E odeio comprar roupa. Que dilema!

A loucura maior é que este período é o de promoções em todas as lojas. A rua vira um caaaaos e o trabalho extremamente cansativo. É de enlouquecer o número de vezes que eu preciso organizar e reorganizar as roupas dos cabides, desdobrar e dobrar as roupas sobre as mesas, correr dali e de lá, dizer onde fulava pode encotrar tal saia ou vestido, qual o número mínimo e máximo, quantas peças de roupa ela pode experimentar, essa calça que ela quer comprar vai bem com o que, na minha opinião aquela blusa caiu bem nela? Gente... Minha cara de entendedora de moda diz tudo! Mas até que dou meus pitacos! Sou observadora até certo ponto, o que me dá certo repertório para opinar. Depois desse ponto, basta. Até porque é em italiano né gente! Meu escarso vocabulário não me permite muitos discursos apaixonados.

Bom, sem mais. Juro, tô muito sem saco pra escrever. Vou tentar de novo mais tarde.

Bacio, Belli!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O evento

Vim aqui falar de um evento que um dia, mais cedo o mais tarde, já ocorreu ou ocorrerá na vida de todo o ser humano. É algo forte e marcante, que todo o olho verá e toda a mente recordará.


-É a pancada no dedinho do pé. -


Pode acontecer de formas variadas. Você pode chutar, por exemplo, o canto do armário, a ponta da porta, o pé da cama, da mesa ou da cadeira.

A primeira reação também pode variar. Minha mãe faz uma cara de sofrimento e exclama “meu Deus do céu!”. O Dorian grita com todas as forças de sua alma de forma que eu escuto aqui da Itália. (se bem que ele não é padrão de referência, sendo o drama king. Grita assim até quando espremem uma espinha). Tem gente que vomita todos os palavrões mais sujos que existem encravados em lugares obscuros da mente. Eu, em geral, perco a voz, as forças, a alegria de viver... Tudo em fração de segundos.


É uma dor... Mas uma dor... Vem do dedinho e sobe queimando a perna até alcançar o coração e apunhalar. Depois do primeiro segundo de susto, com grito ou mudez, o próximo passo é o mesmo. Somem as forças. Você quer morrer. Senta no chão, encosta na parede, deita na cama, apoia no balcão... Completamente vulnerável a qualquer ameaça externa. Sem defesas.

Sua única reação é segurar o pé e olhar o pequenuxo dedolino vermelho na esperança de vê-lo crescendo e diminuindo, já que a sensação de latejo é exatamente essa. Como num desenho animado, quando alguém martela o dedo, sai literalmente voando de dor e quando volta o dedo pulsa... A diferença é que não foi o instrumento que o agrediu, e sim você que agrediu o instrumento. Seria como chutar ferozmente uma bigorna Acme.

Sentimentos ruins se misturam, angústia, raiva, dor, desesperança, náuseas... Mas as poucos vai esmaecendo... Acalmando... Até que só resta uma lembrança do que passou.


Então você levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.


Com ou sem mindinho, o negócio é andar pra frente. (Fosse o dedão, seria impossível andar. Sorte que ele é perspicaz e quase nunca sai ferido. Além do que é um touro de forte!)


O dedinho que é emo demais.

Que babado! To boba.

Quando a gente é criança, vive descobrindo novidades da vida. E eu lembro que era como se uma luz ofuscante me invadisse por completo! Aaaaaaaaah então é isso? É assim? É por isso? Na verdade eu lembro porque ainda vivencio esses flashes epifânicos, embora muitas vezes relativos à amenidades ou coisas sem sentido, mas descobertas que iluminam meu ser.

Por exemplo, nunca tinha me dado conta de que o “topogiju” que eu ouvia falar na minha infância, na verdade é “Topo Gigio” italiano! Topo = rato. Ou seja, é um rato que se chama Gigio. Simples assim. Em português seria algo como Rato Jijo. =S E eu que achava o nome máster splumblético! (não tem significado esta palavra, mas significa algo como “difícil de pronunciar”)

Já ouviu falar em Petit Gateau? É uma sobremesa francesa, certo? Errado! Ao menos nenhum francês que eu já conheci pelas minhas andanças aqui conhecia esse diabo de doce. No fim descobri que deve ter sido alguma jogada de marketing pra fazer o doce parecer chique (nome francês è très jolie!) e legitimar o exorbitante preço de 10-15 reais. 10 reais num bolinho quente de 5 cm³ e uma bolinha de sorvete. Oui!

E o tal do “Castelo de Greiscou”? Sim, pra mim Greiscou era o nome do reino, belo mágico e garboso, que oferecia poderes ao blond-playmobil He-man. Que nada galerinha! É castelo de Grayskull! Do maaaal... Caveira cinza dos brother!

Essa foi a Tati que me contou: De onde vem o nome pé-de-moleque? Tinha até meio nojinho do doce pensando no nome... Imaginava uma ligação com a imagem de um pé de menino que corre descalço na rua, marrom e cheio de detritos grudunhados, assim como o doce. Mas reza a lenda que as donas de casa preparavam o doce e o colocavam sobre o peitoril da janela para esfriar. Volta e meia aparecia um menino serelepe e roubava um pedaço correndo. – PEDE MOLEQUE! – Gritava a matrona irritada. Peça o doce, ao invés de surrupiar. Nada com pé sujo não! Acredita? Pode ser lenda, mas o doce ficou mais apetecível pra mim depois dessa.

Tantas lendas urbanas... Outro dia eu tava lembrando minhas descobertas. Depois adiciono aqui se me recordar de mais!

That’s not all, folks.