segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Safari

Primeiramente, peço perdão pela extensão da postagem anterior! Perceberam que eu sou realmente verborrágica, não? (também perceberam que eu A-DO-RO a palavra "verborrágica". É tão bonita! Chique... Soa intelectual).

Vou contar-vos mais uma história sobre meu avô, sua sisudez e seus reflexos sobre a minha meninice inocente.

Era uma vez... Três aventureiros destemidos desbravando um território hostil e desconhecido, munidos apenas de suas espingardas e uma boa dose de coragem, muita coragem. Mini-Maripê, Dorian e Will. Nós em nossa caçada imaginária, com armas imaginárias, na casa muito real do meu avô. Abro um parêntesis.

Desde que eu me entendia por gente, trabalhava na casa do meu avô uma moça chamada Nafi. Ela era negra, muito negra mesmo. Tinha Lábios grossos, bem rosados e um corte de cabelo peculiar! Como o fio era crespo, ela desbastava as laterais e cortava reto em cima. Parecia-me um trapézio invertido! Eu achava divertidíssimo quando era criança. Mas ela, assim como minha avó, adorava Dorian! E esganiçava com sua voz fina “É o santo de vó!”. Santo... Santo... Dorian Sacana, muito santo realmente! O amor é mesmo cego. Alguns anos mais tarde, Nafi morreria de hanseníase, que até então eu nem imaginava o que era.

Mas enfim... O parêntesis foi para incluir Nafi na minha história, devidamente apresentada a vocês. Continuemos a caçada. Desbravamos o quarto de voinha, o banheiro, o quarto de hóspedes, passando pela varanda, penetrando a sala de estar, sala de jantar e enfim alcançamos a cozinha! Lá, meu avô lia alguma enquanto Nafi fazia algum de seus serviços domésticos. E aí entra minha sagacidade sem limites.

Mini-Maripê, imbuída do mais genuíno e sincero espírito desbravador, exclama com muita empolgação ao avistar Nafi: “Vejam, uma nativa africana!”. Pra quê? Por que mini-Maripê nunca consegue ficar calada? Mais uma vez recebe o olhar furioso de voinho, que a puxa no canto, destila mais uma centena de esporros efusivos, tapas na mão e puxões de orelha.

Mais uma vez eu não entendi NADA. Desde onde é ofensa nessa vida dizer que alguém é africano? Na minha cabeça infantil, ela era negra e negros são da África! Simples assim. Então, eu era louca pra crescer e entender a cabeça dos adultos.

Mal sabia que o mundo adulto é cheio de preconceitos, ofensas, conveniências, intolerância e falsidade. Não há perdão, existe o orgulho e os ressentimentos.

No máximo eu era um pouco mal criada... Brigava com meus irmãos de se estapear e ficar roxa, pra 5 minutos depois surgir a proposta indecente “vamos brincar?” Seguida de um sorriso, um “sim” e uma correria.

Devia ter ficado lá. Em meados de 1993.

2 comentários:

Bruno K disse...

ok, gostei do teu blog.

Maripê disse...

Muito agradecida, Brunoka! ;)