Voltando... Escola. Terceira Série. 9 anos.
Ah não! To sem saco pra escrever hoje e tá tarde! Amanhã eu escrevo. =D
Cortei o cabelo, aliás!
É... Xau! Bjusmeliga!
Hoje comi uma bala na saída do restaurante... Tinha gosto de xaxá! Alguém era apaixonado por bala xaxá quando era criança? Lá em Recife, eu saía com Dorian e Will até a banca da esquina e comprava muuuuitas xaxás escondida dos meus pais, eles proibiam pq estragavam os dentes.Chovia...
Abri os olhos da rua e tudo o que se via era o bafo cinza abraçando círculos multicoloridos em movimento.
Pego meu livro, sento no ônibus e vislumbro através do vidro gotejado o emaranhado de automóveis congestionados. Buzinas, ronco dos motores, fumaça... São dissolvidos pela água que “pinguilha” calmamente na minha janela, e tudo o que me resta é ele. Na capa, uma árvore negra e nua, parecendo um enorme porta-chapéus. Ela repousa sobre a neve das mais brancas, daquelas que dói olhar. Há também uma silhueta em sombras, arqueada, carregando um guarda-chuva vermelho-sangue. “A menina que roubava livros”.
Não vou começar me apresentando. No decorrer dos acontecimentos vou narrando os eventos e adicionando as informações devidamente elucidativas. Para o episódio de hoje basta dizer que sou estudante de Arquitetura e Urbanismo e trabalho com Restauro do Patrimônio Histórico.
Comecei trabalhando em um edifício que se encontra na Alameda Cleveland, do lado da Estação de trem Júlio Prestes. Para chegar ao meu destino, descia no metrô Luz e caminhava alegremente pelas ruas até lá. Um detalhe básico: passava alegremente pelas ruas da CRACOLÂNDIA.
Então, por este detalhe, depreende-se que não era uma caminhada exatamente agradável, mas me rendeu muitas experiências pelo menos interessantes. Vi muita coisa... Muita gente. Vi coisas que me apertaram o coração a ponto de me tirar lágrimas. Outras que me apertaram o estômago a ponto de me tirar o apetite. Muitas cenas tragicômicas também, daquelas que vc pensa: Estaria eu num filme do Adam Sandler, com aqueles personagens bizarros de fala non-sense?
Certa vez andava displicentemente, cantarolando mentalmente, quando passo por um mendigo. (tá, nessa região é mais fácil ver um mendigo ou uma p*** que carros na rua, praticamente). A criatura tinha provavelmente 1,40 de altura... SIM estou exagerando. Eu tenho 1,75... O que me faz alta em comparação com muitas pessoas. Mas ele era realmente pequeno.
Beleza... Vem se aproximando de longe, com aquela graça zeca pagodesca e aquele gingado brasileiro malandro... Chega mais perto, me olhando fixamente. A esta altura já senti no íntimo de meu ser que viria uma das famosas CANTADAS DE MENDIGO. Quem já ganhou uma, sabe do que estou falando! Com uma voz rouca e sensual, linguajar perfeito, uma mistura de Luís Inácio Lula da Silva e Batman Begins... Me diz delicadamente: (gritando pra a rua inteira ouvir) "NAAAAOOOUSSSA, NUM SABIA CA BARRRRBANDAVA*!" (créditos a Bruno Botter pela perfeita transcrição).
Eheeee laiáááá! Pelo menos me arrancou um sorriso em plena segunda-feira ao meio-dia. Vamo combiná que o cara ousou! Não bastasse usar o crássico galanteio da boneca, ainda enfiou uma barbie (boneca de luxo, honey!) no meio! Biscoito fino... O próprio Don Juão da cracolândia, um Casavelha. Mas o melhor era a voz. PENA não ter gravador nos olhos, nem entrada USB no cérebro. Daqui a pouco inventam essas coisas.
Mais milhões de histórias me ocorreram neste trajeto. Algum dia eu conto!
Abraço pra quem fica!
*tradução: Nossa! Não sabia que a Barbie andava
Já perdi a conta de quantas vezes já tentei começar um blog do tipo diário. O meu problema é que sou muito afobada e tendo a fazer as coisas estritamente do modo que devem ser. Ou seja, um diário deve ser escrito diariamente (jura?). Assim, se eu deixo de escrever um dia já fico desanimada e desisto pra sempre (até a próxima tentativa). O outro problema, referente à afobação, é que quero escrever tudo junto todos-os-momentos-da-minha-vida-inteira e acaba ficando uma coisa disléxica, sem pé nem cabeça.
Desta vez, tomei uma decisão, como havia tomado nas outras 1652 vezes. Mas espero que esta dê certo. Vou escrever quando me der na telha, sem explicações, sem porque, sem pra quê, sem ser necessário entender. (V&L S2 4EVER). (Gente, atenção às minúcias. E sim, uso muito da ironia. E não quero precisar explicá-las. Whatever, não tem ninguém lendo! AAAAH! Percebem minha neura? UGH. Tá. Let's go).