domingo, 9 de novembro de 2008

Where is the love?

~~~Para suavizar...


Meu texto favorito do Vininha:

Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.



Publicado em: "Antologia Poética".

E meu favorito do Drumma:


Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação


Publicado em: "Sentimento do Mundo", Irmãos Pongetti.




Meio antitéticos, eu sei. Um incorpora o amor em carne viva, dilascerando-se em razão deste sentimento acariciado e reprimido. O outro nega que ele exista mais, em virtude do universo que o rodeia, sujo, decaído.

Mas em ambos percebe-se que ele existiu e foi de alguma forma frustrante. Como quase tudo nessa vida, aliás. Vinícius o transforma em algo platônico e ainda se banha em sua essência. Drummond o trata como algo definitivamente perdido e opta por seguir em frente e viver, apenas. No sentido mais puro da palavra.

Bah... Não quero desanimar ninguém também, hein? Eu ainda nutro minhas esperanças.

É... O amor tá aí, gente! Pra cada um falar dele como lhe convier, afinal, ele é tão nosso, tão mutante, tão presente...

sábado, 8 de novembro de 2008

B^)

Olha, é um carinha de óculos no título do post! Num é legal? Ok. Você odeia blogs? Beleza! Somos 2. Eu não leio nenhum gente, confesso. =\ Só em casos especiais! Mas eu gosto de escrever e se quiser ler ou não... Dane-se. =)

Impressões gerais sobre o mundo que me rodeia:

- Por que tanta gente não possui domínio próprio? Eu não pedi uma coisa simples? É só PARAR de fazer. Simples assim! Recados têm seus destinatários. Quem é pra entender, entende. Ou é burro e eu não me dou ao trabalho de explicar. =D

- Tava sumida porque meu computador se encontrava inutilizável, mas já estou com o meu mais novo Mariptop, inteiramente à minha disposição para resolver as pendências desta vida.

- Não sei, mas tenho certo fascínio curioso por mendigos. (Eu sei que vocês já perceberam) Por vezes eu fico observando suas reações inusitadas ante a algumas situações... Acho tão interessante! Só não observo mais pois tenho medo de ser atingida por uma pedra, um cuspe, whatever. Vai que encanam que eu estou "encarando"?

Esses dias o busão parou num semáforo da paulista, em frente a um banco. Na fachada tinha um recuo com uma escada e ao lado um recorte elevado no piso. Assim, estava a mais ou menos um metro e meio acima do nível da calçada, mas no mesmo nível do piso interno da agência. Tinha um mendigão lá achando que tava na praia. Deitadão de bruços, com a cabeça baixa apoiada nos braços, meio sonolento...

A princípio eu achei que ele tava dormindo mesmo, até perceber que ele tava mesmo era avaliando a mulherada na rua. Quando passava uma moça, seus olhos a seguiam. Se lhe era agradável aos olhos, o charmoso caiçara levantava a cabeça e mandava um carinhoso beijo, daqueles bem barulhentos e estalados, que (não entendo porque) causava ojeriza nas transeuntes engomadas.

Sabe o que é isso? Puro despeito porque nunca receberam uma cantada firmeza de um mendigo Don Juão como eu (caso que eu já contei aqui)... Daí ficam menosprezando aquele pobre rapaz que se iniciava no mundo dos galanteios, ainda tímido, mandando beijos furtivos ao vento, sem coragem de declarar seu fascínio de forma verbal. Mas um dia ele chega lá!

Bjoestalado